segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

QUARESMA, MITO E REALIDADE

       É interessante como o tempo e o espaço podem modificar tão radicalmente os valores e a moral. Qualquer juízo sobre essas questões não pode desconsiderar essas duas condições fundamentais sem o risco de gravíssimos equívocos de raciocínio. O que vale em uma cultura pode não ter significado algum em outra, o que antes era um escândalo hoje pode ser coisa normal, pois o tempo modifica os conceitos. Assim, nos perguntamos como uma celebração litúrgica fundada na Sagrada Escritura pode se tornar uma superstição tão avessa a confissão religiosa de sua origem?
        A quaresma é um período considerado muito importante para os fundamentos da fé cristã, porque é a memória dos quarenta dias vividos por Jesus Cristo no deserto. Lá, o Filho de Deus enfrentou as três tentações principais do homem: posse, prazer e poder. Refletindo sobre a resistência de Jesus pela oração e pelo jejum a essas terríveis tentações que estão na origem de todas as maldades humanas é que surgiu a quaresma como preparação para a Páscoa. Mas enquanto cristãos no mundo todo se voltam para essa reflexão e para os exercícios de piedade próprios desse tempo litúrgico, nos interiores do Brasil principalmente, a quaresma é tempo de mitos e lendas que povoam o imaginário popular. É nesse tempo que as superstições afloram e fazem perder o sentido real da celebração cristã. Quem nunca ouviu falar do lobisomem, do saci e de outras lendas que na quaresma são temidos e rendem histórias? A crença nesses mitos faz com que muitos busquem práticas místicas pagãs como forma de se proteger e afastar o medo.
         Simpatias diversas, correntes de preces e amuletos, tudo isso faz parte do kit superstição. Além disso, mesmo entre cristãos, o sentido da quaresma dá lugar uma sensação de insegurança, como se esse fosse um tempo propício para que coisas estranhas e ruins pudessem acontecer.
          Essas conotações diferentes da mesma coisa são respeitáveis se consideradas na sua própria cultura local, mas para quem quer entender o real sentido desse momento litúrgico tome nota: a quaresma é uma preparação para a maior celebração do ano litúrgico dos cristãos, após os quarenta dias em que se busca o silêncio e a reflexão sobre a própria vida, começa a Grande Semana (Semana Santa). Nessa semana se faz memória dos últimos momentos da vida de Jesus e de sua morte na cruz. O fato faz com que os fiéis relembrem o sentido de sua fé e, no domingo comemora-se e celebra-se a Páscoa, a passagem da morte para a vida com a ressurreição de Jesus. Essa sim é a celebração que dá sentido a tudo o que os cristãos acreditam e vivem durante todo o ano. É na ressurreição de Jesus que está o cerne da fé cristã e que a diferencia de todas as outras confissões. Nela, Jesus é o Senhor da vida, aquele que venceu a morte e a derrotou para sempre, tirando-lhe o poder de destruir o homem.
          Na quaresma, os cristãos buscam aperfeiçoar sua vida, revendo suas atitudes, confessam suas faltas a Deus e fazem seus propósitos de seguir Jesus na sua prática do amor. Essa é a verdadeira cultura cristã sobre a quaresma em qualquer tempo e espaço

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