domingo, 22 de janeiro de 2012

Futilidade e vulgaridade alimentando a cultura de massa

Estamos vivendo um crepúsculo da erudição: nas escolas ser um bom aluno é motivo de chacotas, é fora de moda se destacar nos estudos, os espertos mesmo compram trabalhos prontos. As crianças não querem mais ser os melhores alunos. Aquela mesma atitude de discriminação que se tem com os religiosos chamados de beatos, bitolados e que alimentou o mito de que quem tem fé e religião não tem inteligência, acontece em relação à vida escolar.

Essa é a cultura do fútil e do vulgar que faz sucesso através da música e da televisão principalmente. Não há investimento em massa para desenvolver conhecimento, promover a experiência estética da arte, mas os instrumentos que deveriam promover isso estão comprometidos com a alienação das pessoas. Vejam o que ocorreu recentemente na hipotética cena de sexo do BBB, a cobertura sensacionalista da TV Record (ridícula, diga-se de passagem) só fez aumentar o interesse das pessoas para este lamentável programa. Em todos os meios de comunicação houve prioridade dessa cobertura, alimentando o imaginário comum já adoecido da desinformação.

Se observarmos o que tem sido sucesso no mundo musical lamentaremos ainda mais, são letras maliciosas, com duplo sentido e algumas vezes até mesmo com mensagens diretas fazendo apologias ao sexo, à sacanagem, à violência e ao uso de drogas.

Não quero bancar o moralista, mas apenas apontar para o fato de que esse movimento todo não é por acaso: quando o cavalo é bom come ração, mas quando é burro de carga come mato e capim. O sistema político e de mercado do nosso país há décadas vêm trabalhando contra o desenvolvimento humano e cultural da juventude, emburrecendo essa geração para que ela consuma esse lixo cultural sem reclamar. O nível baixou muito e essa alienação tem tirado o foco de nossos jovens da realidade diabólica que os cerca. A cultura que tem sido consumida em nosso país é como um cracke consumido nas esquinas de nossas cidades. Essa vulgaridade e futilidade massificantes contrastam com o slogan: a juventude é o futuro da nação. Não é pastando dessa maneira que vamos construir um futuro melhor.

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