O medo sempre foi uma estratégia para se arregimentar pessoas e conquistar objetivos escusos. Essa estratégia de dominação tem uma força extraordinária de anular a capacidade de raciocínio das pessoas. No meio religioso utiliza-se muito isso como instrumento de proselitismo e o fim do mundo é o argumento mais presente nessas abordagens. Nesses “últimos tempos”, porém, temos visto esse modismo escatológico influenciar até mesmo algumas pessoas da área do conhecimento crítico que se deixaram levar por falsos argumentos e leituras equivocadas de dados ainda pouco estudados de culturas arcaicas que, em tese, seriam previsões do fim do mundo. Não há nada de verdade em tudo isso.
O caso mais conhecido na atualidade diz respeito ao calendário Maia que teria seu ciclo findado em dezembro de 2012, momento que coincide com um evento cósmico em que os planetas de nosso sistema solar se alinharão. A conspiração pelo fim do mundo não me pareceu um acaso, logo que isso começou a ser amplamente divulgado, um filme foi lançado e teve grande sucesso de bilheteria. Além disso, um farto material literário com esse tema foi massificamente consumido em todo o mundo.
Para nós cristãos, a escatologia significa a volta de cristo, que no livro do Apocalipse está descrita simbolicamente como um evento cósmico terrível e tenebroso, mas isso não é o fundamental desse acontecimento. Nós acreditamos em um Deus Salvador e misericordioso que na história, provou fazer tudo, até o que nos parece impossível, para nos salvar. Ele nos amou sem ter nenhum motivo para isso. Por isso, sua volta gloriosa é a nossa expectativa. Mas de forma alguma isso deve ser apresentado como chantagem para que nele se creia. Toda instrumentalização da fragilidade, do medo e da insegurança das pessoas como forma de se alcançar qualquer fim seja religioso, econômico, mercadológico, político ou de qualquer interesse, é profundamente desumano e contra a racionalidade humana.
Temer o fim do mundo é uma demonstração de alienação, afinal, nosso planeta é tremendamente hostil com uma grande parte de sua população, em muitos lugares o mundo está acabando nesse exato momento. Enquanto muitos supersticiosos dominados pelo medo estão preocupados com seu futuro mesquinho, milhões de crianças estão morrendo de fome, milhões de jovens estão enfiados em guerras civis sem saber nem mesmo escrever seus nomes, milhões de mulheres estão escravizadas e mutiladas, multidões de pessoas estão refugiadas em outros países. Infelizmente, para muitos a única ameaça ao seu conforto e á sua segurança e o fim do mundo mesmo, por isso temem e são presas fáceis para essa teoria do medo. Os filhos de Deus não temem as más notícias. De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vir a perder sua própria vida?


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