quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Surfando na crise

O mundo está em crise e são as maiores economias do planeta as mais afetadas por seus efeitos. Parece surreal o desemprego na Europa e as filas imensas perto de Manhattan onde pessoas esperam por alimento e ajuda social. Com esse quadro, o Brasil aparece como um paraíso, como se isso também não ocorresse por aqui e há bem mais tempo.

O terror econômico internacional está sendo usado como uma cortina que não nos deixa ver um país atrasado que tem os maiores juros do mundo, um IDH baixíssimo, uma educação precária, e a maior corrupção do planeta. Não quero ser pessimista, mas não há dúvida que esses países vão sair dessa crise e continuar sua trajetória de desenvolvimento, aqui no Brasil porém, isso só irá ocorrer se aproveitarmos essa maré boa para enfrentar decididamente esses graves entraves do nosso real crescimento. Se o Brasil continuar com essa demagogia política e não se reestruturar, promovendo as reformas engavetadas, o tombo lá na frente poderá ser grande.

De que desenvolvimento estamos falando se nos nossos hospitais as ambulâncias de resgate ficam paradas porque suas macas são retidas nos corredores com pacientes sem leitos? Se a nossa internet é mais lenta que a do Haiti e de Angola, alem de ser uma das mais caras do mundo? Se não conseguimos promover a justiça pelos assassinatos ocorridos no campo, nas calçadas das cidades e nas periferias? Se os poucos juízes que atuam a contento são mortos da mesma maneira que a maioria da população indefesa?

O Brasil continua cruel com seu povo e precisa mudar. Basta olharmos para a previdência social: é mais fácil ganhar na loteria do que receber um parecer positivo dos médicos no pedido de benefício.

Os resultados reais da política brasileira são bem mais tímidos do que se propaga por aí, nossas doenças sociais mais antigas continuam vivas esperando o momento de nos corroer de novo. Mas o momento político é o mais propício para se aprovar as reformas tão desejadas por todos nós, a pergunta que fazemos é: por que uma bancada governista tão forte não se empenha nisso?

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