Talvez o que vou dizer aqui seja considerado uma utopia ou até mesmo absurdo, mas não podemos continuar assistindo esse crescimento assustador da violência gratuita dentro das nossas escolas.
Como professor, sempre me questiono sobre as mínimas chances que nós e os alunos têm de escapar de uma situação de perigo de dentro da sala. Nossos ambientes de aula são totalmente fechados e obstruídos pelos móveis. Além disso, a porta é comum e sem transparência, única para entrar e para sair. Somos potenciais reféns do perigo. Esse é o quadro revelador de uma escola fechada, pensada como imposição e não como proposta de vida. Eu nunca ouvi falar de simulação de evacuação em escolas para testar a capacidade de retirar os alunos com segurança dessas estruturas fechadas.
Na verdade, em qualquer ocorrência de violência mesmo entre os próprios alunos é quase impossível não haver vítima devido a essa estrutura prisional.
Precisamos repensar o ambiente da educação, com foco na segurança, criando medidas-padrão para evitar negligências que incapacitam os profissionais de evitar tragédias. Se observarmos sem sentimentalismos os casos que vêm ocorrendo, a falta de preparo dos tutores que quebram procedimentos é um fator decisivo no resultado.
A ingenuidade nos fez colocar grades na escola e não perceber que quem estava sendo preso era o aluno e que a violência livre continuaria entrando pela porta da frente. Esse paliativo está saindo muito caro. Cinemas e outros ambientes públicos são equipados com saídas de emergência, mas as salas de aula são verdadeiras prisões fechadas.


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