Estão querendo me dar o direito à felicidade (Constituição 19/2010, o Artigo 6º), fiquei muito feliz com essa iniciativa, acho que tudo vai mudar na minha vida, afinal, sairei da ilegalidade, pois até hoje – confesso – fiz tudo para ser feliz é que eu não sabia que não tinha esse direito. Ufah! Foi por um triz! O que seria da gente se não fossem os políticos? Mas..., espera um pouco. O que é a felicidade? Se me derem esse direito, devem saber o que isso significa.
Considerando o pensamento aristotélico, a felicidade depende da política e um estado feliz é um estado virtuoso e prudente, vale lembrar que a política para ele nada tem a ver com o que existe hoje com esse nome em nosso país. Caso nossos políticos estejam mesmo decididos em sua divina missão a nos dar esse direito, poderiam começar demonstrando alguma virtude e alguma prudência. Eles devem estar cansados de serem felizes sozinhos e querem que participemos de sua felicidade, pois a vida deles é extremamente diferente e indiferente a nossa. Eu ficaria bem mais feliz com um pouquinho mais de igualdade no Brasil.
O que esses caras estão fazendo com a máquina pública, loteando cargos, fraudando licitações para beneficiar parentes e sócios e assim dividirem lucros imorais, não me parece o esforço mais adequado para me deixar feliz.
Para o filosofo Aristóteles a felicidade vem pelo equilíbrio entre a falta e o excesso e o homem político é aquele que é bom e generoso, que se esforça para proporcionar o bem aos outros e não apenas para si. Será que podemos esperar isso de nossos políticos? Eles acham que um decreto da felicidade pode resolver todas as angústias sociais de quem não teve a “Sorte” que eles tiveram, mas esse decreto, na verdade tira um direito ao invés de garanti-lo. Apesar de toda a injustiça e de toda imoralidade política, o brasileiro nunca deixou de acreditar e de buscar a sua felicidade. A partir de agora, caso ele a alcance, poderá perder o mérito de sua busca e ouvir algum candidato gritar no palanque que foi graças ao seu decreto a sua felicidade.
Que tristeza isso não!


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