sexta-feira, 22 de julho de 2011

780 mil crianças irão morrer de fome só na Somália

Estamos assistindo a enfadonha Copa América, vitrine para jogadores do terceiro mundo serem apresentados ao mercado futebolístico europeu. Ouve-se falar a todo instante em cifras astronômicas de milhões de euros e dólares em negociações desses atletas. Parece um outro mundo, meio fantástico, mas que se nutre da paixão de multidões de anônimos que não sabem o que é um milhão de dólares.

O contraste mais grave a esta “realidade” é a situação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que estima que 780 mil crianças irão morrer de fome só na Somália, porque a entidade tem déficit de U$1bilhão de dólares. Isso é dinheiro de cafezinho nessas negociações internacionais de pilotos de Formula 1, premiações do tênis e de jogadores, inclusive de alguns como Kaká, Ronaldinho e Cristiano Ronaldo que são embaixadores da Unicef.

É importante lembrar que em países como Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia, o chamado Chifre da África, há uma inútil e infindável guerra civil que faz do trabalho da Unicef uma verdadeira operação de guerra. A missão humanitária da entidade, heroicamente, consegue entregar remédios, vacinas e alimentos nessas áreas de conflito e o numero mais exato entre Somália, Quênia e Etiópia é de 2,3 milhões de crianças em estado de desnutrição severa.

No país que foi palco da última Copa do Mundo, o futebol nada fez para mudar o fim dessa história e o continente africano, empobrecido miseravelmente pelos interesses e a ganância dos europeus, cada vez mais caminha para ser o cemitério fétido do mundo, onde ninguém quer estar.