quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Populismo e arrogância, o jeitinho da política brasileira

Na Austrália a presidente chorava inconsolável pelos 19 mortos na pior catástrofe da história do país, aqui 440 mortos, um número pequeno se comparado ao tamanho da arrogância de nossas autoridades insensíveis. A presidente Dilma “liberou” alguns bilhões para as vítimas, mas disse que precisa prevalecer a responsabilidade fiscal, ou seja, a burocracia. A verdade é que esse dinheiro nunca irá chegar aos vitimados pela tragédia. O governo federal fez ainda outra “boa ação”: liberou o saque de R$ 4.650,00 do FGTS para as vítimas. Ora, porque não libera todo o fundo, as pessoas perderam tudo o que tinham, o que essa miséria vai resolver para quem não tem mais nada na vida? E mais: se já é difícil sacar FGTS com todos os documentos, imagine para quem não tem nenhuma identificação porque perdeu todos os documentos na enchente.

Cadê os helicópteros da marinha que não chegaram para socorrer as vítimas? Enquanto isso as aeronaves da imprensa ajudavam a fazer resgates. É incrível como nossas autoridades são lentas e desinteressadas. Num país em que a lei sempre cede espaço para a corrupção, nessas horas dramáticas tentam bancar os moralistas.

Nenhuma autoridade consegue dizer algo concreto que resulte em algum alívio imediato das vítimas. A sensação de impotência deles que tem o poder institucional nas mãos é tão grande quanto a nossa, cidadãos comuns. Isso se chama incompetência! Eles são incapazes de sair do gesso para socorrer as pessoas, o que eles chamam de medidas extraordinárias não passam de textos escritos e palavras bem articuladas, documentos que nem chegam a ser assinados. O socorro providente que as pessoas recebem vem na verdade de outras pessoas comuns, essas sim são brasileiros autênticos sensíveis e solidários. Nossos políticos são tão diferentes de nós que não podem ser chamados de nossos representantes, eles sabem como ninguém burlar a lei em favor próprio, mas na hora de colocar a força do estado à disposição das pessoas que necessitam ficam apáticos e apequenados diante das estruturas legais. Se a lei fosse tão rígida para eles como é para nós, quantos deles não estariam na prisão?

Essa tragédia que acomete a região sudeste do Brasil, a mais desenvolvida da federação é uma demonstração clara da incapacidade do estado brasileiro em defender seu povo, não podemos confiar nossas vidas a um estado tão despreparado como este que estamos vendo agora. Temos tropas no Haiti e aqui no Rio de Janeiro não aparecem os soldados do exército para realizar um socorro mais imediato das vítimas, isso é incompreensível.

A forma escandalosa como são tratados os políticos no Brasil é que os torna uma categoria tão estranha ao povo brasileiro. De tanta mordomia eles perdem a noção de trabalho, de urgência, de cidadania, de solidariedade, de justiça, de moral e se transformam nesse mal tão necessário para nossa cara democracia.

2 comentários:

  1. Silvio, além de tudo que você mencionou em seu texto gostaria de acrescertar a extraordinária capacidade que nossos políticos têm de usar o tempo, no qual deveriam estar resolvendo esses problemas para ficarem procurando a quem culpar. Eles são realmente muito bons nisso! Infelizmente só nisso...

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  2. Se o filme é o mesmo...
    Entra ano, sai ano e as fortes chuvas que costumam cair no verão sempre provocam alagamentos em várias partes do país. Em função desses desastres, muitos moradores das regiões prejudicadas pelas cheias perdem seus bens e ficam desabrigados, como ocorreu na tragédia de Santa Catarina, em novembro de 2008. Se o filme é o mesmo todos os anos, por que não são tomadas providências para contornar os efeitos dos temporais da estação? A culpa é só do governo ou também da população. O que a população pode fazer para evitar as enchentes?
    Acredito que devemos tentar manter as drenagens, valas e canaletas desobstruídas. Nunca devemos jogar lixo nas ruas, em encostas, córregos, margens de rios ou áreas verdes. “Quando se fala em lixo, falamos desde o papel de bala até móveis velhos. Basta andar pela cidade, principalmente na periferia, que encontramos facilmente geladeiras e móveis jogados nos rio. É preciso ter consciência e não transformar um rio numa extensão de lixão”.
    Além disso, a população deve cobrar as obras necessárias para conter as águas e fiscalizar o poder público. Diante de uma tragédia como esta entendemos mais uma vez que, a vida humana tem em si mesma um valor inestimável. A vida humana é sempre um bem, mas infelizmente a maioria das pessoas não consegue reconhecê-lo. É imprescindível, que as autoridades conduza de forma correta, a vida daqueles por quem são responsáveis, devem sim resgatar pessoas, reestruturar as condições de vida nas regiões atingidas, permitindo que tenham acesso a remédios, que tenham minorado seus sofrimentos contando que perderam suas casas, seus bens. Devem cooperar, e garantir que a reconstrução de tudo seja um momento de prevenção para o próximo verão.
    Rosineide Nery

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