Em especial a educação pública conteúdo recorrente da retórica política em tempos de eleição. Muitos candidatos pretendem ser eleitos este ano pelas promessas de uma educação melhor. Melhor para eles que não temos uma boa educação, afinal, quando tivermos o que eles vão prometer?
Na condição de educador, desautorizo e desaprovo, o uso indecente e imoral dos problemas da educação como plataforma política. Ano de eleição não é momento de prometer, mas sim de avaliar, o povo saberá escolher o que fez melhor. Educação é prioridade, é tema constante carente de aprimoramento Durante os longos anos de mandato ninguém levanta essa bandeira, ninguém propõe novas leis que incluem os sem escola, e que obrigam o estado brasileiro a cumprir seu dever com os alunos e com os profissionais do ensino. Tomem nota de quantos políticos vão explorar o problema da educação como tema de campanha, da mesma forma que acontece todos os anos.
Pior que isso é greve de professores em ano eleitoral. Que se danem os alunos, não é mesmo? Ainda bem que a maioria dos colegas não é oportunista e sua paixão não é político - partidária, mas autêntica paixão pelo magistério.
A sala de aula é uma célula vibrante da nossa sociedade, ali assistimos e acompanhamos gerações sendo formadas. Ensiná-los a enfrentar seus dramas e a vencer as contrariedades da vida com força e serenidade, é uma missão dificílima. A violência e a falta de civilidade são problemas que um verdadeiro mestre enfrenta dentro de sua sala e trabalha para que no futuro a sociedade receba aquele jovem formado e civilizado.
Confesso que me envergonhei ao ver professores se pegando aos tapas e ponta pés no vão do Masp na Paulista esta semana. Lembrei de como é difícil ensinar aos alunos que essa não é a forma certa de agir. Revoltados sem causa lá estavam eles se digladiando uns contra os outros, depois de se tocarem que não valia à pena protestar daquela forma enquanto os colegas trabalhavam em seu lugar.
Vou tentar imaginar o que essas pessoas vão fazer de suas salas ao voltarem ao trabalho: vão desperdiçar o tempo de aula dos alunos, já tão prejudicados, para se justificarem e fazer apologia cínica ao movimento grevista.
Essa aula os alunos não precisavam ter.



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